3,2,1 Gravando! Cinema em Curitiba

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Reportagem por: Yasmin Graeml, Talita Souza e Raphaella Piovezan

Aconteceu esta semana em Curitiba a quinta edição do Festival Olhar de Cinema.  O festival vem, desde seu início, contribuindo para o cenário de produções cinematográficas de Curitiba e do Paraná. Mais de 300 filmes já foram exibidos na mostra, e apesar da crise financeira e falta de patrocínios, o evento aconteceu este ano com mais de 100 produções e atingindo um público maior que o esperado.

O “Olhar de Cinema” tem como principal objetivo divulgar filmes independentes. Mas também propõe debates sobre tendências cinematográficas e temas sociais, culturais, políticos, entre outros. Desde 2012, o evento já foi palco para filmes de dezenas de países e prestigiado por mais de 60 mil espectadores. Além de  filmes, já foram propostas cerca de 40 dinâmicas entre mesas de debate, palestras, estudos de caso, painéis e oficinas.

Para o diretor artístico do festival, Antônio Celestino Junior, o segredo do sucesso é a seleção rígida na hora de escolher os filmes para serem expostos: “Creio que o festival tem se tornado um momento de encontro do audiovisual local. É aquele momento do ano em que muitos tiram um pouco o pé do acelerador para poder conhecer novos cinematografistas e também estabelecer novos contatos”. Ele também fala da repercursão nacional dos filmes divulgados: “Todos eles serão exibidos em estreia nacional, o que mostra a respeitabilidade que alcançamos”.

O festival, além de proporcionar um espaço para as produções paranaenses, cria um ambiente de troca de ideias, inspirações e parcerias entre cineastas de várias partes do mundo. Essa também é uma ótima oportunidade para o público entrar em contato com o cinema menos comercial e conhecer mais sobre o assunto.

Dentre as oito mostras presentes no festival, a Mirada Paranaense se destaca como representante da importância do cinema local dentro do Olhar de Cinema. Essa categoria de filmes, que está presente desde a primeira edição, faz com que a produção paranaense tenha destaque. Este ano a  Mirada veio muito forte, com 7 curtas e 1 longa, todos eles em estreia mundial. Entre os filmes exibidos produzidos aqui, Antônio Junior menciona o longa-metragem “A Grande Nuvem Cinza”que se destaca pela estética, além de retratar pessoas do interior, que normalmente não estão muito presentes nas telas.

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Um mercado que não recuou mesmo na crise

Mesmo com a crise financeira do país, o cinema continua crescendo devido aos benefícios fiscais destinados às produções. Os patrocínios diminuíram, mas investimentos, principalmente federais, continuam acontecendo. Danilo Custódio, diretor de Pai aos 15, um dos filmes que participou do festival em 2016, acredita que o mercado do cinema nacional vai continuar crescendo pelo menos pelos próximos cinco anos. E se orgulha em dizer que apesar de o Paraná ainda estar muito atrás de outros estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco, Curitiba foi a cidade do Sul que mais classificou projetos para receber investimento no ano passado. E que a geração Hollywood, que desde criança só assiste filme americano está, aos poucos, reconhecendo o cinema brasileiro. “Nós somos um dos poucos países que está todo ano no festival de Cannes – um dos mais importantes festivais de cinema do mundo. As pessoas nem percebem, mas nós estamos sempre lá. No mundo, o cinema brasileiro é reconhecido como um cinema de qualidade. Só aqui no Brasil que as pessoas não valorizam.”

Conforme a organização do “Olhar de Cinema”, o festival nesse ano sofreu com recessão econômica e a redução de patrocínios, mas mesmo assim conseguiu cumprir sua intenção, a divulgação das cinematografias. Apesar dos empecilhos, o festival tem um público fiel. A divulgação boca a boca, também contribui para que uma multidão cada vez maior seja atraida. Assim como nos anos anteriores, o preço dos ingressos se manteve acessível e abaixo do de ingressos para cinemas convencionais: R$8,00 a entrada inteira e R$4,00 a meia.

O que mais vem por aí?

O primeiro filme da atriz e Youtuber curitibana Kéfera, Amor de Catarina, foi gravado na capital paranaense. Com estreia ainda sem data mas confirmada para este ano, será distribuido pela Europa Filmes. O filme promete ser divertido, novelesco, sem perder o lado Cult.

Outra grande produção rodada em Curitiba é O Filho Eterno, com estreia prevista para janeiro de 2017. Segundo a produtora Andréa Tomeleri, o filme promete ser emocionante, triste e divertido ao mesmo tempo, de arrepiar. Ela também elogia a equipe técnica e artística e diz que o filme vai surpreender a todos.

A história do filme Bamos Nessa, que ainda está em fase de gravações, também se passará em Curitiba. O elenco incluirá Nanda Costa, Bruna Linzemeyer, Felipe Camargo, Jonny Massaro e Guilherme Weber.

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