Chile: roteiro para quatro dias em Santiago e arredores

Latitude 33°27′24″ S

Santiago do Chile é a maior e mais populosa cidade do país. Com um jeito modesto, cativa pela sua funcionalidade, arquitetura e paisagens maravilhosas.

Voamos de Latam de Guarulhos até o Aeroporto Internacional de Santiago. Expliquei nesse post que vale muito mais a pena fazer o câmbio do dinheiro já no Chile. Ao desembarcarmos, seguimos direto para o guichê da casa de câmbio e trocamos o suficiente pra primeira noite, já que chegamos no meio da madrugada.

Na saída do aeroporto, você encontrará diversos taxistas que, literalmente, te cercam e oferecem viagens. Mas, escolhemos fazer uma viagem com o Uber até o hotel da primeira noite, próximo à estação Universidad de Santiago, que custou por volta de 9.000 pesos chilenosNo segundo dia, nos mudamos para um apartamento alugado através do Airbnb. Expliquei aqui a nossa escolha de localização! 😉

Como tínhamos apenas quatro dias para conhecer a cidade, os andes e a zona litorânea, nossos dias no Chile ficaram um tanto quanto lotados. Por ser uma cidade bastante convidativa para se andar a pé, não encontramos problemas (além do cansaço) ao tentar visitar o máximo de pontos de interesse de Santiago em dois dias. No final desse post, há links para o roteiro dos outros dois dias. 😉

Dia 01 – Manhã –  Museo da Memoria e Quinta Normal

Em nosso primeiro dia em Santiago, no Chile, estávamos hospedados em um hotel próximo à estação Universidad de Santiago e à estação Central, o que possibilitou que seguíssemos a pé até o Museo de La Memoria y los Derechos Humanos, nosso primeiro ponto turístico! Apelo pessoal: talvez tenha sido nosso lugar preferido na cidade, então não deixe de visitar! É um prédio lindo e um dos melhores exemplos de espaços bem resolvidos arquitetonicamente que já vi, fato que chamou a minha atenção logo de cara. Mas, mais do que isso, é muito forte e emocionante ao detalhar a terrível ditadura de Pinochet no Chile. Um lugar desses é importante demais pra lembrarmos da constante luta da América Latina e não deixar a história se repetir. A entrada é gratuita!

Museu da Memória Museu da Memória Museu da Memória
Clique para ver em tamanho maior.

Ainda pela manhã, caminhamos pelo Parque Quinta Normalem frente ao Museo de La Memoria. O parque possui uma área de 350 mil m² e abriga o Museo Nacional de Historia Natural, que conta com departamentos de antropologia, zoologia, botânica e paleontologia; o Museo de Ciencia y Tecnologia; o Museo Ferroviario de Chile, abrigando 15 trens e outras exibições; o Museo de Arte Contemporaneo e o Artequín. Por conta do nosso tempo limitado, escolhemos visitar o Museo Nacional de Historia Natural e o Museo Ferroviario de Chile. São bastante interessantes e valem a visita gratuita! As fotos do parque e dos museus estão abaixo:

IMG_0426 IMG_0479 Artequín museo-ferroviario-de
Clique para ver em tamanho maior. Da esquerda para direita: Parque Quinta Normal; Museo Nacional de Historia Natural; Artequín e locomotiva no Museo Ferroviario.

Depois disso, fomos de metrô até nosso apartamento alugado pelo Airbnb, de onde seguimos, à tarde, para um passeio pelo Cerro Santa Lucía e toda região histórica da cidade. Expliquei aqui como se locomover em Santiago!

Dia 01 – Tarde e Noite – Cerro Santa Lucia e Centro Histórico 

O Cerro Sta Lucía fica no coração da cidade, próximo à estação Sta. Lucía do metrô e é ótimo para aproveitar a natureza. Possui uma área verde grande, o que leva muitos moradores lá todos os dias para relaxar. Mas o legal é subir as centenas de degraus que levam à uma paisagem exuberante da cidade e dos andes. Assusta um pouco, então o ideal é ir devagar, aproveitando a vista e as áreas de descanso.

IMG_0517 IMG_0614  IMG_0604
Clique para ver em tamanho maior. Cerro Sta. Lucía.

Depois de descer, passamos pela feirinha do Cerro Sta Lucia. Aberta todos os dias até as 19:00, abriga artesãos locais que vendem lembrancinhas, roupas, acessórios e o que você imaginar! Vale a visita e mais um apelo pessoal: enriqueçam a cultura local!

Fizemos, nesse dia, uma longa caminhada de 11 km só para vencer os pontos turísticos do setor histórico e do centro de Santiago. Se você tiver mais tempo, divida esse setor em duas visitas e use e abuse do metrô, há muita coisa pra se ver!

Começamos pela Biblioteca Nacional de Chile, logo ao lado do cerro Sta Lucía, e então seguimos para o Teatro Municipal de Santiago, onde há visitas guiadas. Fomos, então, no sentido oeste pela rua Moneda (nela há várias casas de câmbio com boas cotações) até o Palacio de La Moneda, sede do governo chileno, onde a cada dois dias acontece a Troca de Guarda do Governo Chileno. O calendário 2017 conta os dias pares em janeiro, ímpares em fevereiro e março, pares em abril e assim por diante!

IMG_0611 IMG_0625 IMG_0853
Clique para ver em tamanho maior. Da esquerda para direita: Biblioteca Nacional de Chile, Teatro Municipal e Palacio de La Moneda.

Seguimos, então, para o norte, na rua Bandera até a Plaza de Armas, onde está a Catedral de Santiago e o Museo Historico Nacional (entrada gratuita). Após isso, seguimos até o Mercado Municipal, repleto de restaurantes que, em sua maioria, servem frutos do mar. Os vendedores são muito atenciosos e simpáticos. Dali, pegamos o metrô até o Centro Gabriela Mistral, o centro cultural mais importante do Chile, sempre recheado com uma programação riquíssima, além de que arquitetura do local é um espetáculo a parte!

IMG_0626 IMG_0543 IMG_0557IMG_0545 IMG_0852
Clique para ver em tamanho maior. Da esquerda para direita: rua Phillips, Plaza de Armas, Catedral de Santiago, Museo Historico Nacional e Mercado Municipal

Toda a região é bem estruturada com diversas lojas, restaurantes, shoppings, cafés… O curioso é que os chilenos costumam almoçar bem tarde, por volta das 15h, todos os dias. Mas paradas esporádicas são sempre bem vindas! A esse ponto já estávamos cansados (não me diga, né? :P) e resolvemos voltar andando pra casa.

Dia 02 – Manhã – La Chascona e Parque Metropolitano (Cerro San Cristóbal)

No segundo dia, logo pela manhã, fizemos uma caminhada até a La Chascona, uma das três casas espalhadas pelo Chile do poeta chileno Pablo Neruda, ganhador do Nobel da Literatura e morto em 1973. Como esperado, conta a história do poeta de forma bem estruturada, com tradução em português por áudio. A entrada custa 6.000 pesos chilenos.

Depois disso, seguimos até o Funicular do Cerro San Cristóban, principal entrada do Parque Metropolitano de Santiago, o quinto maior parque urbano do mundo e o ponto turístico mais frequentado da cidade, abrigando o funicular, o teleférico, o santuário da Imaculada Conceição, o Zoológico, o Jardim Botânico e uma vista exuberante da cidade e dos andes! Reserve, pelo menos, cerca de 3 ou 4 horas para fazer a visita ao Parque!

O funicular é uma espécie de bondinho que te leva morro acima, com uma parada no Zoológico. Os preços são bem acessíveis: variam se o trajeto é até o zoo ou até o topo e se contempla ida e volta. Já contei aqui no blog que muitas atrações aceitam a carteirinha de estudante brasileira. O funicular é uma delas! Nós fizemos uma parada no zoológico: um local muito bem cuidado, repleto de diversos animais e uma vista bastante legal da cidade. Após o zoo, tomamos mais uma vez o funicular para seguir até o topo, onde está o Santuário da Imaculada Conceição. Você não encontrará uma vista mais bonita em nenhum outro lugar do mundo, juro! Aproveite a paisagem e os locais de descanso. O parque é bem equipado com lojas e lanchonetes, mas leve sua garrafa d’água!

IMG_0855 IMG_0682 IMG_0684IMG_0712 IMG_0702 IMG_0685
Clique para ver em tamanho maior. Da esquerda para direita: entrada do Funicular; trilhos do Funicular; escadaria da estátua da Imaculada Conceição; templo da Imaculada Conceição situado à direita da escadaria; vistas do topo da escadaria.

O teleférico pode ser tomado lá em cima para o trajeto de descida, com diversas paradas, inclusive no Jardim Botanico Mapumelu: um espaço lindo e muito bem tratado que abriga cerca de 80 espécies locais. Infelizmente, no dia da nossa visita, o teleférico estava em manutenção. Por isso, fizemos o trajeto a pé: cerca de uma hora de caminhada. Do jardim, seguimos a pé para saída, mas você também pode visitar o Parque de Las Esculturas e o Clube de Golf, ao pé do outro lado do Cerro.

IMG_0730 IMG_0734 IMG_0723 IMG_0696
Clique para ver em tamanho maior. Da esquerda para direita: Jardim Botânico; Mirante no caminho do Jardim Botânico; vista a partir do caminho feito a pé e vista panorâmica da cidade.

Você também pode descer/subir até/desde o topo de carro, a pé, bicicleta, funicular ou teleférico. Recomendo que façam de funicular e teleférico. A ordem não importa, apenas aproveitem! 🙂

Dia 02 – Tarde e Noite – Sky Costanera, Arquitetura e Barrio Lastarria

Ao sair do Cerro San Cristóban, tomamos o metrô até a estação Manuel Montt, próxima ao Sky Costanera, novo cartão postal da cidade: uma torre de mais de 300 metros de altura caracterizada como o maior edifício da América Latina! A imponente estrutura de metal, vidro e concreto chamada de Gran Torre Santiago está anexa ao Shopping Costanera Center, um dos maiores do país, com 301 lojas.

IMG_0860 IMG_0747 IMG_0776 IMG_0861
Clique para ver em tamanho maior. Da esquerda para direita: vista terrestre do Sky Costanera; Av. Costanera; vistas do mirante.

A vista urbana e dos andes a partir da torre é magnífica, muito diferente do que vemos a partir dos cerros. No prédio há dois andares de observação: um vedado e outro com abertura para o céu. Há visitas guiadas em português, inglês, francês e castellano, que acontecem de hora em hora (conforme disponibilidade) e já inclusas no preço de subida – 5.000 pesos chilenos (estudantes têm 20% de desconto). Meu único arrependimento foi não ter subido mais para o final do dia (por lá, no verão, escurece só após às 21h e o prédio fecha às 22h, não tendo tempo máximo para visita) para contemplar o pôr do sol. Mas a visita valeu muito à pena e os guias eram muito simpáticos! Não deixem de conferir!

A post shared by Alessandro Lunelli (@luunelli) on

Pra quem ainda não conhece minhas assinaturas aqui no blog, sou estudante de Arquitetura e Urbanismo e não pude deixar de visitar parte do mais importante patrimônio contemporâneo da arquitetura chilena, reconhecido mundialmente: o Campus San Joaquin da Pontificia Universidad Catolica de Chile. Fui até lá visitar dois prédios assinados pelo arquiteto Alejandro Aravenas, que ganhou o Prêmio Prtizker em 2016, considerado o Nobel da Arquitetura: o Centro de Inovação Tecnológica, uma grande estrutura inteligente de concreto fibroso e as Torres Siamesas, dois edifícios de concreto fibroso revestidos com vidro.

IMG_0810 IMG_0851 IMG_0862 IMG_0820
Clique para ver em tamanho maior. Da esquerda para direita: 1, 2 e 3: Centro de Inovação Tecnológica; 4: Torres Siamesas.

E, para finalizar o dia, tomamos o metrô de volta até a estação Sta. Lucía, de onde partimos para uma visita a noite aos Barrios Lastarria Bellavista, bairros vizinhos considerados o centro boêmio de Santiago. Chamo atenção especial ao Puerto Bellavista, uma espécie de praça privada onde funcionam diversos restaurantes, bares e lojas de souvenirs.

No terceiro dia, fizemos uma viagem de ônibus até as cidades litorâneas de Valparaíso e Viña del Mar, contada em detalhes neste post. No quarto dia tomou vez uma viagem de 20 horas pelos andes e atravessando a argentina, até as cidades de Mendoza Buenos Aires, detalhada neste post! Outras dicas sobre o Chile podem ser encontradas aqui!

Alterar foto do perfil

Alessandro Lunelli é curitibano, estudante de Arquitetura e Urbanismo e escreve para o Qualquer Latitude como colunista. Instagram: @luunelli

20 thoughts on “Chile: roteiro para quatro dias em Santiago e arredores

    1. Oi Tainara! Obrigado pelo comentário!
      O mais pesadinho foram as passagens aéreas. Se você se programar certinho, pode fazer essa viagem gastando bem pouco usando ferramentas como o Airbnb, cozinhando no seu apartamento, usando o transporte público, etc.
      Fiquei 11 dias viajando a América do Sul e gastei menos de 3.000 reais no total!

  1. Fiquei apaixonada por esse post, nunca fui no Chile mas tenho muita vontade. Adorei o roteiro e as fotos ficaram incríves, já anotei as dicas e vários lugares que quero conhecer 😀

  2. Uau! Sou encantada pelas cidades da America do Sul e morro de vontade de conhecer o Chile. De preferência queria ir no inverno pra ter contato com a neve e tentar esquiar.
    Adorei o roteiro que você fez. Imagino o cansaço no fim do dia.
    ;*

    1. Oi Renata!
      O cansaço foi gigante, meus pés até gritavam!
      Não vejo a hora de poder voltar na temporada de neve também! Mesmo no verão a paisagem já tira o fôlego, imagina no inverno! Existem muitaaaaaaaassss opções de passeios pelos andes para esquiar e aproveitar a neve.
      Obrigado!

    1. Oi Gabi! Poxa, obrigado! hahaha
      O que eu mais fiz nessa viagem foi visitar museu, rs. O bom é que a maior parte deles é mantida pelo governo, então são gratuitos! Obrigado pelo comentário! Beijo!

  3. Amei o post, está incrível! Santiago é um dos lugares que mais quero visitar! As paisagens são tão bonitas, e mais ainda a arquitetura ♥. Só quero saber como eles conseguem almoçar por volta das 15h, impossível, eu já estaria desmaiada de fome hahaha

    1. hahahaha pois então somos dois! Os restaurantes abrem mais cedo, é só o costume deles mesmo! E com certeza é um dos lugares mais bonitos que eu já conheci!

    1. A temporada de neve no Chile parece ser maravilhosaaaaa! Há muito para se fazer por lá tanto no calor quanto no frio.
      No verão, por exemplo, podemos aproveitar o litoral, que fica a 100km de Santiago, ou as gigantes piscinas públicas no Parque Municipal (que, ao contrario do que parece, são muito limpas e bem cuidadas). No inverno, há infinitas estações de esqui por perto!
      Obrigado pelo comentário! beijos!

  4. Que post incrivel, cheio de informações e fotos que só fazem me dar mais vontade de fazer um tour pelo Chile <3 uma vez fizemos trabalhos sobre países latino-americanos e um dos que eu mais amei foi o Chile hehe 🙂

    1. A cultura chilena é líndissima. O povo é muito simpático, atencioso e culto. O que mais me chamou atenção foi que grande parte das pessoas (isso inclui vendedores de feiras, comerciantes…) falam inglês! Um beijo!

Deixe uma resposta