Mochilão

De Santiago para Buenos Aires no verão: atravessando os Andes e a Argentina de ônibus

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Impossível, eu diria, estar no Chile e não querer fazer um passeio pelos Andes. Com uma altitude média de 4.000 metros, a maior cadeias de montanhas do mundo vai da Venezuela até o extremo sul do Chile e da Argentina, conhecido como Terra do Fogo, e possui passagens maravilhosas! Neste post eu vou contar como foi ir de Santiago para Buenos Aires atravessando os Andes e a Argentina de ônibus.

Como contei aqui no blog, fiquei alguns dias na cidade de Santiago, no Chile, antes de seguir viagem para Mendoza, na Argentina e, posteriormente, Buenos Aires. Escolhemos fazer esse percurso de ônibus, aproveitando as belas paisagens dos andes chilenos e argentinos! Fizemos a nossa viagem nos últimos dias da primavera e, infelizmente, a cordilheira não estava coberta de neve, exceto pelos pontos mais altos, que apresentam temperaturas negativas o ano inteiro, portanto ficam cobertas de neve constantemente. Ainda assim, independente da estação, foi uma das experiências mais legais que tive em termos de viagem.

Uma vez decidido que o percurso Santiago – Mendoza – Buenos Aires seria feito de ônibus, o primeiro passo era escolher a companhia de viação. Independente de qual fosse, a parada em Mendoza seria obrigatória para troca de ônibus.

Santiago para Mendoza, pelos Andes

Quatro empresas de ônibus fazem esse trajeto através dos andes, partindo do Terminal Alameda, em Santiago: Coitram, El Rapido Internacional, Andesmar e Nevada. Os preços variam conforme a classe, indo de 500 a 800 pesos argentinos. O próprio site da Andesmar vende as passagens para todas essas companhias – e é o único que aceita cartões de crédito do Brasil!

Baseados em opiniões na internet, nós acabamos escolhendo a Andesmar. O valor final, por pessoa, da passagem + taxas foi de 581,99 pesos argentinos, com um ônibus semileito. Não nos arrependemos nem um pouco! Compramos com antecedência para garantir as janelas panorâmicas do segundo andar do ônibus, que por si só era muito confortável, além de que ofereciam café da manhã e almoço com um ótimo atendimento.

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Clique para ver em tamanho maior. Da esquerda para direita: classe semicama da Andesmar, visão panorâmica da primeira fileira e fronteira Chile/Argentina.

O sinuoso trajeto de 370km foi feito em 6h, considerando que ficamos cerca de uma hora na fronteira da Argentina nos processos legais de imigração.

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Clique para ver em tamanho maior. Los Caracoles, trecho mais famoso da travessia.

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Clique para ver em tamanho maior. Trechos dos andes chilenos.




O lado chileno tem diversos vilarejos, estações de esqui e cassinos, os famosos Caracoles – parte acentuada da estrada que se divide em mais de 20 curvas andes acima – mas as formações rochosas mais bonitas estão no lado argentino da Cordilheira dos Andes. Fazer esse trajeto de ônibus (não com excursão ou por conta própria) possui a desvantagem de que não há paradas para tirar fotos, com exceção da confusa imigração. Todas essas aqui foram tiradas com o ônibus em movimento. Talvez o único arrependimento foi não ter pulado para fora do ônibus!

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Clique para ver em tamanho maior. Andes argentinos e Embalse Potrerillos, um lago no meio dos andes.

Garanto: fazer o trajeto de ônibus é uma escolha certa! 😉

Mendoza

Chegamos em Mendoza por volta das 16:00 do mesmo dia. Nosso ônibus para Buenos Aires só sairia às 21:00, o que nos deu um tempinho para conhecer alguns pontos de interesse na cidade. Vendemo, no terminal mesmo, o restante de pesos chilenos que tínhamos e deixamos nossas malas num guarda-volume. Infelizmente, achamos arriscado fazer algum passeio até as vinícolas, então nos concentramos no centro da cidade.

Andando oeste a partir do terminal de ônibus, o centro de Mendoza fica a 1km de distância. A cidade é bastante cosmopolita e possui grande variedade de comércio, restaurantes e lojas. Começamos visitando a Basílica de San Francisco e a Plaza Independencia, seguindo pela Avenida Mitre até o Centro Cívico. Paramos num café muito charmoso para comer e fugir do calor escaldante: o clima da cidade é semi-desértico.

Logo percebemos que precisaríamos de uns três ou quatro dias para aproveitar bem Mendoza que, além de possuir uma vida agitada, está perto de diversos pontos de interesse na cordilheira dos Andes.

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Clique para ver em tamanho maior. 1 e 2: ruas de Mendoza; 3: Basilica de San Francisco, 4: Banco Nacional e 5: Plaza da Independencia.

Mendoza para Buenos Aires

Mais uma vez compramos as passagens pelo site da Andesmar. Diversas companhias de ônibus fazem o trajeto do terminal de Mendoza até o Terminal de Retiro, em Buenos Aires e podem ser conferidas numa pesquisa rápida no mesmo site. Os preços variam conforme a classe e tipo de serviço, indo de 931 a 1880 pesos argentinos. Devido a uma promoção que encontramos por termos sidos os primeiros a comprar as passagens naquele dia, encontramos na El Rapido Argentino dois assentos da classe executiva pelo preço da “semicama”, uma classe mais econômica.

Compramos pelo valor de 1330 pesos argentinos, com as taxas. Mas nos decepcionamos muito com o serviço dessa companhia! Extremamente desconfortável, ônibus velho e barulhento, com funcionários um tanto quanto inconvenientes. Partimos de Mendoza às 21:00. A parte boa foi a comida: no jantar, uma espécie de escondidinho de batata com carne e, no café da manhã, diversos bolinhos e salgados. Mas não se iludam, esse tipo de serviço é comum nos ônibus argentinos. 😉

Chegamos em Buenos Aires por volta de 12:00 do dia seguinte: 15 horas para vencer os 1060km, desde Mendoza. Se pudéssemos, teríamos escolhidos mais uma vez a companhia Andesmar, a melhor de todos os trechos feitos entre o Chile e a Argentina.




Você pode conferir também meu roteiro de viagem para Santiago, o litoral chileno e dicas de viagem para esse país!

Alessandro Lunelli é curitibano, estudante de Arquitetura e Urbanismo e escreve para o Qualquer Latitude como colunista. Instagram: @luunelli




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