Imigração Alemã em Curitiba- Cachorro quente com duas Wienerwurst

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Em 1829, Curitiba era um pequeno vilarejo quando os primeiros imigrantes alemães chegaram na cidade. Eles se estabeleceram na região central e foram muito importantes para o desenvolvimento da indústria e do comércio local.

Andando pelo centro histórico não é difícil encontrar prédios construído por alemães. Um bom exemplo é o Palácio São Francisco, atual sede do Museu Paraense. O prédio foi construído por Julio Garmatter, alemão que veio com sua família para o Brasil e construiu uma réplica da sua casa na Alemanha.

Com a proibição do idioma alemão no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial muito desta cultura se perdeu, mas ainda se encontra em Curitiba famílias que mantêm os costumes do país europeu. Este é o caso da família de Martina Hoffrichter, que tem ascendência alemã pelo dois lados da família: por parte de mãe é mais distante, os bisavós dela vieram para o Brasil fugindo da Segunda Guerra, já seu pai nasceu na Alemanha e veio para o Brasil com a família para montar carros. Ela conta que em sua casa eles falam alemão e fazem muitas receitas típicas. “A época que mais sinto contato com a cultura de lá é no natal, fazemos todas as tradições natalinas alemãs, desde o advento até a ceia”.

Existem tradições e expressões que já são tão comuns no dia a dia que, muitas vezes, a origem alemã dos costumes passa despercebida. As celebrações como natal e páscoa brasileiras, por exemplo, são muito parecidas com as da Alemanha. Celebrar o natal na noite do dia 24 de dezembro e não no dia 25 e deixar o sapatinho na janela são tradições vindas da Alemanha, o próprio papai noel vem de um bispo alemão que entregava presentes para as crianças mais pobres. Na páscoa a tradição de pintar os ovos e de escondê-los na manhã do domingo também foi importada como explica Lídia Hanke em seus livros Histórias de Natal e Páscoa. “Quando os alemães chegaram no Brasil eles trouxeram suas tradições para cá. Eles colocavam neve no pinheirinho e faziam bolachas de mel como  uma forma de lembrar de casa”.

Mesmo português e alemão sendo línguas muito diferentes os imigrantes trouxeram algumas palavras para o nosso vocabulário como chopp que vem de schoppen e blitz. Em Curitiba é comum o uso da palavra vina para salsicha, isto também vem do alemão wienerwurst.

Vovô me ajuda a fugir da Crise?

Descendentes de alemão até a quarta geração e com todos os documentos (certidão de nascimento e casamento dos ascendentes) podem dar início ao processo para ter dupla cidadania (brasileira e alemã). Este documento permite ao portador entrar sem visto em vários países e a morar, trabalhar e estudar na Europa.

A bibliotecária Juliana Mueller, do instituto Goethe, representantes oficiais da Alemanha no Brasil, conta que eles recebem vários alunos que começam a aprender alemão, pois têm dupla cidadania e com a crise pensam na possibilidade de ir morar lá. “ Quando se tem um passaporte alemão é fácil ir morar na Europa e isto faz com que muitos busquem suas raízes e comecem a aprender alemão”.

Ellen Schierz tem cidadania alemã, pois sua avó veio da Alemanha. Para ela as principais vantagens dos dois passaportes são não precisar de visto para os Estados Unidos e poder ir trabalhar na Europa. “Meu irmão estava em segundo lugar para um emprego na Romênia, a pessoa que iria inicialmente estava com problemas de visto, como ele tem o passaporte alemão não tinha este problema chamaram ele”.

53 anos de dança e Cultura Alemã:

O grupo de dança folclórica alemã Alte Heimat completou 53 anos de existência dia 10 de abril. O nome do grupo, surgiu em 1964 com o intuito de relembrar tradições germânicas significa velha pátria.

Karin Elisabeth Reucher participa do Alter Heimat e conta que faz parte da primeira geração brasileira da família. Para Karin a influência alemã aparece muito na educação, na culinária e na língua. Ela está no grupo há 25 anos e conta que a dança lhe ajuda resgatar suas raízes. “Para mim é muito importante, pois preserva uma outra parte da minha cultura”.

A diretora do grupo, Juliana Kloss, conta que mesmo a maioria dos dançarinos sendo descendentes de alemão eles são abertos para todos que querem dançar. “Nós tivemos uma época descendentes de japoneses, o pessoal até comentava que era legal ver eles em roupas alemãs. Eles vinham, dançavam com a gente e era super divertido.” Ela também conta que como os germânicos são oriundos da Alemanha, da Áustria e Suíça eles tomam cuidado para ter figurinos que representam todas as regiões dos três países.

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