Mais de 10 mil quilômetros de distância, mas o gostinho é de casa- Restaurantes Sírios

sirosOs sírios são os refugiados que estão em maior número no Brasil. A guerra civil trouxe nos últimos anos mais de 2 mil sírios para o país, segundo dados da Prefeitura de Curitiba. Como a culinária árabe é muito apreciada pelos brasileiros muitos sírios optaram por abrir restaurantes árabes para ter uma fonte de renda no Brasil.

A família Tokmaji foi uma das primeiras famílias sírias a chegar em Curitiba em 2013, a refugiada Myria Tokmaji conta que o Brasil é o único país que recebe os refugiando sírios legalmente. “Entrar legalmente para o Brasil foi nossa escolha, a gente não queria ir ilegalmente para a Europa, é muito perigoso, corre o risco de morrer no mar”. A família de Myria também é um exemplo de sírios que começou a se reconstruir no Brasil através da culinária típica. A família abriu o restaurante Yasmim Comidas Árabes que trabalha com entregas e em feiras gastronômicas. “Nós chegamos no Brasil três anos atrás e começamos aqui no zero, e a ideia do restaurante surgiu porque minha família já fazia comida árabe, nós já tínhamos restaurante na Síria, mas lá meus país eram só os donos, não trabalhavam lá diariamente. O restaurante ficava em uma montanha turística e a gente ia para lá as vezes”. No Brasil a mãe de Myria ficou responsável pela cozinha e ela pela parte de design que ela era formada em design gráfico na Síria e foi uma das poucas refugiadas que conseguiu validar o diploma pela Universidade Federal do Paraná.

Além de uma fonte de renda para ajudar a recomeçar a vida, estar trabalhando com a culinária síria é uma maneira de manter a cultura do país mesmo no Brasil e isto ajuda os refugiados a recomeçar a vida, como explica a psicóloga Dagmar Grzybowski, “a maioria dos refugiados tem um histórico muito grande de perdas e estas perdas afetam eles psicologicamente. O fato de estarem procurando um trabalho, principalmente vinculado à cultura ajuda eles a processar o que aconteceu e conseguir seguir adiante com a vida”.

A opção de abrir restaurantes é bem comum entre os sírios, a diretora financeira da instituição social Lynion que atende refugiados, Raquel Correia, conta que os sírios em geral são empreendedores.Os refugiados árabes, em grande maioria sírios, acabam abrindo restaurantes porque cozinhar faz parte da cultura deles, como eles aprendem a cozinhar muito cedo em geral cozinham muito bem as pessoas aqui acabam se encantando”. Raquel também conta que já auxiliou vários refugiados a seguir pelo cainho da culinária na hora de recomeçar a vida no Brasil.

Guerra Cívil Na Siria

A guerra Cívil da Síria começou em 2011 com protestos contra o governo de Bashar al-Assad. Já são mais de sete anos de guerra civil que segundo a ONU  representa a maior crise de refugiados do mundo, são mais de 5 mil pessoas que saíram da Síria na situação de refugiados.

A Refugiada Clound Al Saad tem 12 anos e chegou em 2015 no Brasil com a sua mãe. Ela conta que eles tinham esperança que a guerra acabasse e assim foi por quatro anos até que ficou muito perigoso e elas vieram para o Brasil. Seu pai, por ser policial, não conseguiu ainda sair da Síria. Ela conta que mantém contato com ele por facebook: “meu pai diz que está cada dia pior, tem uma hora de luz a cada seis horas, quando vem e água é muito difícil, as vezes fica dois dias que não tem água”.

A guerra que começou na Primavera Árabe hoje representa os principais conflitos geopolíticos do mundo, segundo o professor de Geopolítica Mauro Braga.Esse governo da Síria é um tradicional opositor dos governos dos Estados Unidos e de Israel na região”. Ele também conta que o governo da Síria manteve relações com a União Soviética durante a guerra fira e atualmente mantem relações com Rússia e esclarece que a guerra não é relacionada com religião pois o estado sempre foi laico.

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