Será Xã o futuro do Brasil?

@treehouse.art

Salve Xã, salve, salve a salvação!” A cantoria parece uma campanha política, mas as vozes são de crianças e o barulho vem da sala do 7º ano A de um colégio de Curitiba. Toda a euforia gira entorno de Alexandre Yanagui, conhecido entre os amigos como Xã. Cabelos negros, olhos grandes e pretos que quase não enxergam. O menino tem apenas 30% de visão, mas isso não o impede de ser o melhor aluno da classe e adorado entre as outras crianças.

Suas mãos são menores e os dedos não são bem definidos, mas seu aperto de mão é forte como o de um político deve ser! Xã tem 12 anos, já é afiliado de um partido político e sonha em um dia ser presidente do Brasil.

Quando Alexandre entrou no colégio ele logo se destacou. Em alguns anos, principalmente na época de alfabetização, os professores fizeram provas diferenciadas para ele. Sílabas e vogais não o desafiavam mais e, para que ele não perdesse o interesse na escola, seus mestres dificultavam as provas e preparavam ditados especiais para ele.

Na sala de aula, uma carteira maior logo na primeira fileira e no meio. Este é o lugar de Xã. Seus livros são maiores, mais ou menos tamanho A3 para ser mais fácil de ele enxergar. Durante a aula de geografia o assunto é produto interno bruto e o professor pergunta quem quer ler as respostas da tarefa de casa. Várias crianças levantam a mão, entre elas a de Alexandre que logo lê uma resposta bem mais longa que a das outras crianças.

A leitura do conteúdo começa e Xã acompanha em seu livro enquanto outro aluno lê em voz alta. O colega se perde na palavra ruralidade e Xã rapidamente corrige pronunciando a palavra certa. Sua maturidade e sabedoria encantam os docentes. Ericson Pechefist, professor de geografia, conta que os interesses de Alexandre são incomuns em jovens até mesmo mais velhos que ele. “A maioria dos alunos querem saber de política mais superficialmente, aquilo que está na mídia, mas o Xã tem uma grande capacidade cognitiva, com ele podemos ter discussões mais densas sobre este tema”.


Na hora de transcrever as perguntas do quadro ele tira uma foto para conseguir copiar com mais facilidade. No seu celular tem fotos do quadro negro, dele encontrando seus políticos favoritos e nas reuniões de seu partido. Seus jogos também são sobre política, em um quiz de conhecimentos gerais ele é o jogador com mais pontos de Curitiba!

Foi na escola que ele ganhou seu primeiro cargo político, o de representante de turma! Ele está concorrendo à reeleição e entre suas propostas estão um plebiscito interno para decidir e escrever as regras do colégio. “Isso me lembra as leis da Roma Antiga, são todas faladas. É o que a coordenação diz naquela hora. Temos que ter regras escritas, não pode mudar toda hora ”, diz o garoto, que também planeja um jornalzinho para o colégio.

Para as eleições de representante Xã faz broches e panfletos. Em uma das eleições sua mãe sugeriu para ele colocar uma bala junto do panfleto e ele se revoltou: “mãe você não sabe que isso é compra de votos e é errado? Não sou corrupto, não pode e depois vão falar que eu só ganhei porque dei bala”.

Alexandre acompanhou sua primeira eleição quando tinha um ano de idade, em 2006. Como tinha dificuldades de visão nunca assistiu desenhos animados, pois são muito rápidos e cheios de detalhes, e se encantou pelo horário político. Pessoas paradas, números e letras grandes; parecia um programa feito para o pequeno Xã. Com dois anos e meio ele começou a ler e com três já falava perfeitamente. Um pouco mais velho começou a gostar do quadro soletrando do Luciano Hulk, ele soletrava junto com os competidores e acertava todas as palavras.

Seus pais, Alexandre e Michelle Yanagui, nunca tiveram interesse em política. Sua mãe conta que só passou a assistir horário político por causa do Xã. A memória do menino impressiona, ele sabe todos os candidatos, os partidos, vitórias e derrotas. Conta a política como os outros meninos falam sobre a Copa do Mundo. Seus maiores sonhos são ser pai e ser ministro. “Este ano ele pediu de aniversário uma viagem para Brasília, assim iria conhecer o seu futuro local de trabalho. Ele também queria ver para decidir se é melhor se candidatar por São Paulo ou por Brasília”, conta a mãe de Alexandre!

Sua avó materna demorou para aceitar o sonho do garoto em ser político, dizia que não queria ter um neto ladrão. Hoje, depois de muita conversa, ela aceita que Xã pode ser quem vai mudar a política. “Eu disse para ela que isso era o que eu gostava na política, eu posso e vou mudar as coisas!”

Aos 10 anos ele descobriu um curso de formação de política online disponibilizado por um partido. Completou o curso e se formou. Depois resolveu visitar todos os partidos políticos que tem sede em Curitiba até encontrar um que gostou e foi convidado a se filiar. Alexandre já até participou de reuniões no partido.

Sua mãe conta que durante o período eleitoral a família fica em polvorosa e o próprio Xã confirma que quando ocorrem as eleições sua rotina se resume em ir para a escola, casa e para a Rua XV de Novembro, local onde ele encontra os candidatos, participa de marchas e pega os panfletos para poder analisar. Ele também baixa as propostas de cada um dos candidatos da internet.

Já em casa, é ele quem decide em quem a mãe vota. “Para mim o mais importante é a análise do candidato, tem que prestar atenção nas propostas, na ficha criminal limpa e no histórico. Um candidato que muda radicalmente de partido não tem ideais, não se vai da esquerda para direita e depois para o centro. Tem que ter uma ideologia e não fazer de tudo para ganhar”, pondera Xã.


Escândalos de política são noticiados todo dia. Mensalão, propinas, prisões e todos acabam sem querer caindo no nosso esquecimento. Tomara que até o dia em que Xã se torne candidato nós brasileiros tenhamos aprendido a valorizar a honestidade, pois é isso que o Brasil precisa e que Xã tem de sobra! Talvez este menino, que hoje disputa a eleição de representante de turma, seja o futuro que buscamos para o Brasil!

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